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segunda-feira, 20 de junho de 2011


Definição
O termo renascimento, ou renascença, faz referência a um movimento intelectual e artístico surgido na Itália, entre os séculos XIV e XVI, e daí difundido por toda a Europa. À concepção medieval do mundo se contrapõe uma nova visão, empírica e científica, do homem e da natureza. A idéia de um 'renascimento' ocorrido nas artes e na cultura relaciona-se à revalorização do pensamento e da arte da Antigüidade clássica e à formação de uma cultura humanista. A obra do pintor, arquiteto e teórico Giorgio Vasari (1511-1574) constitui a principal fonte de informação acerca da arte renascentista italiana. A renovação das artes ocorrida na Itália, segundo o seu célebre Vida dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos (1550; 2ª edição 1568), tem como ponto de apoio a recusa do antinaturalismo da tradição bizantina e, paralelamente, a redescoberta da escultura clássica operada por Nicola Pisano no sarcófago de Pisa. A visão de Vasari sobre a história da arte italiana como progresso, com seu ápice no século XV, fornece as balizas para os juízos críticos posteriores. A noção de renascimento tal como a entendemos hoje, é estabelecida pelo historiador suíço Jacob Burckhardt (1818-1897) em seu livro A cultura do Renascimento na Itália (1867), que define o período como de grande florescimento do espírito humano, espécie de "descoberta do mundo e do homem".
A cidade de Florença no século XV é tida como berço do movimento, lugar onde se realizam algumas das obras mais inovadoras do renascimento. Os nomes de Donatello (ca.1386-1466), Leonardo da Vinci (1452-1519), além dos já mencionados Rafael, Masaccio e Brunelleschi figuram entre os maiores representantes da arte renascentista  
                        (Leonardo da Vinci)       (Donatello)
Leonardo é autor de obra artística e científica, célebre por seus escritos, pelos retratos e pela invenção da técnica do sfumato, em que se vale da justaposição matizada de tons e cores diferentes, de modo que se aproximem, "sem limites ou bordas, à maneira da fumaça", nas palavras do próprio artista. Com isso Leonardo logra suavizar os contornos característicos da pintura do início do século XV, revelando as potencialidades da tinta a óleo.
Vitória

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desde 1982, no dia 29 de abril comemora-se o dia internacional da dança, instituído pela UNESCO em homenagem ao criador do balé moderno, Jean-Georges Noverre.
A Dança é a arte de mexer o corpo, através de uma cadência de movimentos e ritmos, criando uma harmonia própria.
Não é somente através do som de uma música que se pode dançar, pois os movimentos podem acontecer independente do som que se ouve, e até mesmo sem ele.
A história da dança retrata que seu surgimento se deu ainda na pré-história, quando os homens batiam os pés no chão. Aos poucos, foram dando mais intensidade aos sons, descobrindo que podiam fazer outros ritmos, conjugando os passos com as mãos, através das palmas.
O surgimento das danças em grupo aconteceu através dos rituais religiosos, onde as pessoas faziam agradecimentos ou pediam aos deuses o sol e a chuva. Os primeiros registros dessas danças mostram que as mesmas surgiram no Egito, há dois mil anos antes de Cristo.
Mais tarde, já perdendo o costume religioso, as danças apareceram na Grécia, em Roma, entre outros
Nas cortes do período renascentista, as danças voltaram a ter caráter teatral, que estava se perdendo no tempo, pois ninguém a praticava com esse propósito. Praticamente daí foi que surgiram o Sapateado e o Ballet apresentados como espetáculos teatrais, onde passos, música, vestuário, iluminação e cenário compõem sua estrutura:

Sapateado

Ballet


No século XVI surgiram os primeiros registros das danças, onde cada localidade apresentava características próprias. No século XIX surgiram as danças feitas em pares, como a valsa, a polca, o tango, dentre outras. Estas, a princípio, não foram aceitas pelos mais conservadores, até que no século XX surgiu o rock’n roll, que revolucionou o estilo musical e, consequentemente, os ritmos das danças.
Assim como a mistura dos povos foram acontecendo, os aspectos culturais foram se difundindo.
O maracatu, o samba e a rumba são prova disso, pois através das danças vindas dos negros, dos índios e dos europeus esses ritmos se originaram.
Hoje em dia as danças voltaram-se muito para o lado da sensualidade, sendo mais divulgadas e aceitas por todo o mundo. Nos países do oriente médio a dança do ventre é muito difundida e no Brasil, o funk e o samba. Além desses, o Strip-tease tem tido grande repercussão, principalmente se unido à dança inglesa, pole dance, mais conhecida como a dança do cano.
Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola
Fonte:                                                             http://www.brasilescola.com/artes/danca.htm


Fotos:






Fotos do: "Compasso centro de danças"

segunda-feira, 13 de junho de 2011

GIORDANO BRUNO


Giordano Bruno (1548-1600), ao contrário de Copérnico, Tycho e Kepler (ver postagem do dia 06/06/2011 - Heliocentrismo), não era um astrônomo e sim um filósofo.
Nascido em Nola, cidadezinha próxima a Nápoles, na Itália, Bruno recebeu o nome Filipe, que mudou para Giordano quando se tornou clérigo do Convento de São Domingos em 1565. Ficou ali durante dez anos, estudando as filosofias grega e medieval e a cabala judaica. Mas sua maior influência foi a antiga religião egípcia que cultuava o Deus Thot, inventor da escritura e patrono das ciências e das artes, segundo a qual o centro do universo era o Sol.
Matemático, inventor, criador da mnemômica, doutor em teologia (abandonou o hábito pouco depois), Bruno teria formulado o princípio de inércia 19 anos antes de Galileu, segundo alguns estudiosos. Intelectualmente inquieto, adepto da liberdade de pensamento, ele elaborou uma cosmologia em que o universo, infinito, ilimitado e composto de infinitos mundos, esta em permanente movimento e transformação. A matéria seria animada por um princípio anímico que é parte dela, é material, e não espiritual. Mais: a matéria teria em si a divindade. Bruno não aceitava a tese de um Deus transcendente, criador do mundo. Para ele, Deus não era um ser separado do mundo; era o próprio mundo, a natureza.
Essas idéias, que influenciaram a filosofia posterior – nas figuras de Espinosa, Leibniz e Diderot -, causaram-lhe problemas em um época em que predominava a tradição aristotélica – tomista. Acusado de heresia, perseguido pela Inquisição, ele correu a Europa até ser contratado como professor de mnemônica por um nobre chamado Giovanni Mocenigo. Mudou-se para a casa do aluno em Veneza e foi denunciado por ele ao Tribunal do Santo Ofício. Preso durante sete anos e torturado, Bruno foi condenado à morte na fogueira. Morreu queimado no Campo de Fiori, em Roma, a 17 de fevereiro de 1600.


Curiosidade: O cardeal Poupard, responsável, no Vaticano, pelo Pontifício Conselho da Cultura – órgão que reabilitou Galileu -, confirmou, em 3 de fevereiro de 2000, que Giordano Bruno não teria a mesma sorte. O cardeal escreveu, em seu parecer, que “a condenação por heresia de Giordano Bruno, independentemente do julgamento que se possa ter sobre a pena capital que lhe foi imposta, apresenta-se plenamente motivada".




Escultura que retrata o momento da condenação de Giordano Bruno à fogueira pela Inquisição.



Monumento em homenagem a Giordano Bruno, erigido em 1889.
Campo de Fiori, em Roma, local onde o filósofo foi queimado pela Inquisição. 





Giornado Bruno e seu pensamento sobre o universo infinito.



Bibliografia: Enciclopédia do Estudante, Vol. 12 - História da Filosofia, Editora Moderna, 2008.

Pedro Venturini do Rosário - nº 14






ESTUDOS DE ANATOMIA DE LEONARDO DA VINCI

Leonardo di Ser Piero da Vinci ou simplesmente Leonardo da Vinci (1452-1519) foi  uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico. É ainda conhecido como o precursor da aviação e da balística.
A formação de Leonardo da Vinci da anatomia do corpo humano iniciou-se com o seu aprendizado no ateliê de Andrea del Verrocchio, pois seu mestre insistia que todos os alunos deviam aprender anatomia. Como artista, ele rapidamente se tornou mestre da anatomia topográfica, realizando muitos estudos de músculos, tendões e outras características anatômicas visíveis.
Como um artista de sucesso, ele recebeu a permissão para dissecar cadáveres humanos no Hospital de Santa Maria Nuova, em Florença e mais tarde no hospital de Milão e Roma. Entre 1510 e 1511, colaborou em seus estudos o médico Marcantonio della Torre, e juntos elaboraram um trabalho teórico sobre a anatomia, em que Leonardo fez mais de 200 desenhos. Foi publicado apenas em 1680 (161 anos após sua morte), integrando o Trattato della Pittura.
Leonardo desenhou muitos estudos sobre o esqueleto humano e suas partes, bem como os músculos e nervos, o coração e o sistema vascular, os órgãos sexuais, e outros órgãos internos. Ele fez um dos primeiros desenhos científicos de um feto no útero. Como artista, Leonardo observou e registrou cuidadosamente os efeitos da idade e da emoção humana sobre a fisiologia, estudando em particular os efeitos da raiva. Ele também desenhou muitas figuras importantes que tinham deformidades faciais ou sinais de doença.
Ele também estudou e desenhou a anatomia de animais diversos, bem como, dissecando vacas, aves, macacos, ursos e rãs, e comparava seus desenhos em sua estrutura anatômica com o dos seres humanos. Ele também fez uma série de estudos em cavalos.



Estudos de embriões por Leonardo da Vinci (1510-1513).



Estudo de anatomia de um cavalo dos diários de Leonardo da Vinci
Royal Library, Castelo de Windsor. 



Estudos de anatomia de músculos de um homem por Leonardo da Vinci.




Pedro Venturini do Rosário - nº 14





A POESIA LÍRICA RENASCENTISTA

O renascimento impõe uma mudança radical no que diz respeito à Idade Média. Uma nova visão de mundo se soma às notáveis transformações históricas e sociais: o humanismo. O resultado será uma grande explosão artística e literária que, viva na Itália desde o século XV, se estenderá por toda a Europa no século XVI.
Na Idade Média acreditava-se que Deus fosse o centro do universo (teocentrismo) e que a existência na Terra fosse uma mera passagem para a vida eterna. No Renascimento, o homem é transferido para o centro do mundo (antropocentrismo) e a vida é considerada digna de ser vivida ao extremo. A principal conseqüência disso é uma revalorização do mundo e do ser humano.
O humanismo foi inicialmente um esforço erudito que surgiu na península Itálica para recuperar o conhecimento exato da cultura clássico greco-latina, muito deformada na Idade Média. Imediatamente, transformou-se em um grande movimento que aspirava ao renascimento da arte e da maneira de pensar e viver dos antigos. Os humanistas italianos do século XV, seguindo o exemplo dos grandes autores do século XIV, Dante, Petrarca e Boccaccio, esforçaram-se por descobrir manuscritos latinos antigos e imitar suas formas e conteúdos.
Por um lado, o modelo é a poesia lírica greco-latina (Virgílio, Horácio, Píndaro), que comporta diversos gêneros, como a ode e a écloga – espécie de poesia pastoril -, alguns tópicos literários, como o carpem diem (“aproveita o momento”), o beatus ille (“feliz aquele”, a felicidade do que deixa o mundo e vai viver na natureza) e o lócus amoenus (“lugar idílico”), e a mitologia como tema literário. Por outro lado, a poesia de Petrarca torna-se o modelo absoluto da lírica amorosa. Do petrarquismo adota-se o enfoque psicológico da amante, a descrição de seus sentimentos e a descrição da amada, bem como uma série de figuras e imagens presentes no Cancioneiro. Além da obra de Petrarca, a poesia lírica italiana exporta formas métricas, principalmente o verso hendecassílabo e o soneto.


Manuscrito renascentista. 



Manuscrito e ilustração de Leonardo da Vinci.
No renascimento, o ser humano passa a ser o centro do pensamento e das artes.



Bibliografia: Enciclopédia do Estudante, Vol. 07 - Literatura Universal, Editora Moderna, 2008


Pedro Venturini do Rosário - nº 14



Ticiano Vecellio ou Vecelli (Pieve di Cadore cerca de 1473/1490 - Veneza 27 de agosto de 1576) foi um dos principais representantes da escola veneziana no Renascimento antecipando diversas características do Barroco e até do Modernismo. Ele também é conhecido como Tizian Vecellio De GregorioTizianoTitian ou ainda como Titien.[1]
Reconhecido pelos seus contemporâneos como "o sol entre as estrelas", Ticiano foi um dos mais versáteis pintores italianos, igualmente bom em retratos ou paisagens, temas mitológicos ou religiosos.
Se tivesse morrido cedo, teria sido conhecido como um dos mais influentes artistas do seu tempo, mas como viveu quase um século, mudando tão drasticamente seu modo de pintar, vários críticos demoram a acreditar se tratar do mesmo artista. O que une as duas partes de sua obra é seu profundo interesse pela cor, sua modulação policromática é sem precedentes na arte ocidental.

nfância

Ticiano era um dos quatro filhos de Gregório Vecelli, destacado soldado e funcionário do estado, e de sua esposa Lúcia. Perto dos dez anos de idade foi levado por seu irmão, o também pintor Francesco Vecellio, para Veneza, onde entrou como aprendiz de Sebastian Zuccato, celebre por seus mosáicos. Após quatro ou cinco anos passou ao estúdio de Giovanni Bellini, naquele tempo o mais notável artista da cidade. Ali entrou para um grupo de jovens que incluia Palma de Serinalta, Lorenzo Lotto, Sebastiano Luciani e Giorgione.[2]

[editar]Primeiros trabalhos

Um afresco de Hércules no palácio Morosini é tido como um dos seus primeiros trabalhos, assim como A Virgem e a Criança no Belvedere Viena, e A Visitação de Maria e Isabel, do convento de Santo André, hoje na Academia de Veneza.
Tiziano formou uma parceria com Giorgione, e é difícil distinguir seus trabalhos iniciais. O primeiro só de Ticiano, reconhecidamente, é um pequeno Ecce Homo da escola de São Roque. Os dois jovens mestres foram logo reconhecidos como líderes de sua nova escola moderna, que tornou suas pinturas mais flexiveis, livres da simetria e das convenções hierárquicas que ainda estavam presentes nas obras de Bellini.
Em 1507, Giorgione foi escolhido para executar os afrescos na reerguida Fondaco de Tedeschi (de uma corporação de comerciantes alemães), onde Tiziano e Feltre trabalharam, restando alguns fragmentos reconhecidos como seus pelas gravuras de Fontana.
O talento de Tiziano apareceu nos afrescos que ele pintou em 1511 para a igreja das Carmelitas em Pádua, alguns preservados como Encontro no Portão Dourado e três cenas da vida de Santo Antônio na escola do santo. Em 1513 retornou a Veneza e após 1516 obteve uma patente na Fondaco de Tedeschi, espécie de cargo público, tornando-se superintendente de serviços do governo, com uma renda razoável, especialmente para terminar trabalhos de Bellini, que morrera, no hall do Palácio Ducal. Ele se instalou num ateliê no Canal Grande e trabalhou para cinco Doges sucessivos.

[editar]Crescimento

Detalhe da Anunciação, óleo sobre madeira,Bréscia
Giorgione morreu em 1510 e Bellini, ja ancião, em 1516, deixando Tiziano, já com algumas obras de vulto em seu currículo, sem rival na escola veneziana. Por sessenta anos, ele foi o líder absoluto e indisputado, o mestre oficial e o pintor laureado da Sereníssima República de Veneza.
Durante este período (1516 - 1530), que podemos chamar de crescimento até a maturidade, o artista libertou-se das tradições de sua juventude, procurando personagens mais complexos e, pela primeira vez tentando um estilo monumental.
Em 1518 produziu para o altar da igreja de Fran A Consumação da Madona, hoje na Academia de Veneza, que excitava os sentidos, começando uma peça multicolorida numa escala tão grande como a Itália ainda não vira.
O tema da Consumação, unindo na mesma composição duas ou três cenas em diferentes níveis, como céu e terra, temporal e infinito, continuou numa série de trabalhos como o retábulo de São Domingos em Ancona (1520), o retábulo de Bréscia (1522), e o retábulo deSão Nicolau do Vaticano (1523), cada um a seu tempo visando uma concepção mais perfeita, finalmente alcançando uma forma insuperável no retábulo de Pesaro (1526), na igreja de Frari. Este é talvez o mais perfeito e mais estudado de seus trabalhos, pacientemente desenvolvido com uma disposição suprema de ordem e liberdade, originalidade e estilo. Aqui Ticiano deu uma nova concepção ao tradicional grupo de personagens santas movendo-se pelo espaço da obra, os planos e diferentes degraus numa trama arquitetônica.
Ticiano Vecelli estava agora no pico de sua fama, e em 1521, seguindo-se à produção de um São Sebastião para o legado papal emBréscia (trabalho que possui inúmeras réplicas), as encomendas avolumaram-se. Um dos mais extraordinários trabalhos deste período foi A deposição de São Pedro (1530), primeiramente na igreja dominicana de San Zanipolo e destruída em uma luta com a Áustria em 1867, e da qual só restam cópias. A associação da paisagem com uma cena de morte mostra uma tragédia sobressaltada, patética, como nem Tintoretto ou Delacroix souberam fazer.
Continuou simultaneamente com sua série de pequenas Madonas que ele elaborava com belas paisagens à maneira pastoral, sendo A Virgem com o coelho atualmente no Louvre, o exemplo acabado dessas imagens. Também do mesmo período é Entombment, igualmente no Louvre. Foi igualmente o período de séries de temas mitológicos, como Bacanais deMadri, e Baco e Ariadne de Londres, talvez a mais brilhante obra do neo-paganismo do Renascimento, muito imitada mas nunca superada. Finalmente, foi neste período de maestria que Tiziano compôs os retratos e bustos de jovens, como Flora nos Uffizi ou Jovem no toucador no Louvre.
Em 1525, após um pouco de vida desregrada e a consequente agitação, casou-se com Cecília, talvez para legitimar seu primeiro filho Pomponio e os dois ou três que o seguiram. Mas cedo ela faleceu, durante o parto de Lavinia (1530), causando grande aflição ao mestre. Ele se muda para uma nova casa em Bin Grande, então um lugar muito bom, com ótimos jardins e uma vista de Murano, chama sua irmã Orsa para cuidar das crianças e busca tranqüilidade. É dessa época o retrato de Pietro Aretino que envia a Gonzaga, duque de Mântua.[3]

[editar]Maturidade

Carlos V en Mühlberg1548,
Museu do PradoMadri
Durante o próximo período (1530 - 1550), como já se esboçava no seu Martírio de São Pedro, Tiziano se devotou mais e mais a um estilodramático. Desta época é a representação da cena histórica da Batalha de Cadore, infelizmente desfigurada ou mutilada em sua maior parte, mas que mostra o esforço do artista de se superar. Como A Guerra de PisaA Batalha de Anghiari e A Batalha de Constantinopla foram consumidas pelo fogo que ardeu no Palácio do Doge. Existe apenas uma cópia pobre e incompleta no Uffizi e uma medíocre gravura por Fontana.
Do mesmo modo O Discurso do Marques de Vasto, de 1541 em Madri, foi parcialmente destruído por fogo, mas essa vertente de sua obra está bem representada por Apresentação da Virgem Sagrada (1539) hoje em Veneza, um de seus mais famosos quadros, e por Ecce Homo(1541), em Viena, uma das mais patéticas e longevas de suas obras-primas.
Menos sucesso fez a série de afrescos da cúpula de Santa Maria da Saúde, como A Morte de AbelSacrifício de Abrão e Davi e Golias. Essas cenas violentas, vistas por baixo, como na Capela Sistina, estão numa posição desfavorável à observação. Foram no entanto admiradas e imitadas, Rubens, entre outros, usou esse sistema na igreja Jesuita de Antuérpia. Também deste tempo, época de sua visita aRoma, é o começo da série das Vênus reclinadas, como A Vênus de Urbino e Vênus e Eros, ambas na Galleria degli Uffizi e Vênus e o Organista, em Madri, no qual se reconhece o efeito direto do contato do mestre com esculturas antigas. Giorgione já tinha utilizado esse tema, mas aqui um drapeado vermelho é suficiente, por seu colorido, para mudar o sentido da cena.
Ticiano tinha ainda, desde o início de sua carreira mostrado ser um mestre em retratos, em trabalhos como La Bella (Eleanora Gonzaga, Duquesa de Urbino), hoje no palácio Pitti. Ele pintou inúmeros príncipes, doges, cardeais, monges e artistas, teve muito sucesso em extrair de cada fisionomia os traços que a caracterizavam. Como retratista, Ticiano é comparavél a Rembrandt e Velásquez. Suas qualidades são manifestas em obras como Paulo III, em Nápoles ou a cena do mesmo papa com seus sobrinhos, Aretino, no palácio Pitti, e Eleanora de Portugal, em Madri, ou a série de Carlos V do mesmo local, o Carlos V com Cão de Caça (1533) e Carlos V em Muhlberg (1548), uma pintura equestre com uma sinfonia de vermelhos que é o nom plus ultra da arte de pintar. Carlos V honrou Tiziano nomeando-o conde palatino e cavaleiro do galão dourado, seus filhos foram feitos nobres do Sacro Império Romano-Germânico, o que para um pintor daquela época era uma honra extraordinária.
O governo da República de Veneza não ficou satisfeito com a negligência de seu trabalho no Palácio Ducal e ordenou que devolvesse o dinheiro recebido, nomeando Pordenone para seu lugar (1538). No entanto este morreu em menos de um ano, e tendo Ticiano se aplicado, enquanto isso, diligentemente em pintar A Batalha de Cadore, teve seu cargo restaurado. Esta figura, que como tantas outras pereceu no incêndio do palácio em 1577, representava em tamanho real o momento em que o comandante veneziano D'Alviano enfrentava o inimigo, com homens e cavalos se chocando sobre um riacho.
Como sucesso profissional e mundano, a esse tempo, sua posição só pode ser comparada a RafaelMichelangelo ou mais tarde Rubens.
Ticiano visitava sua terra natal de Pieve di Cadoretodo ano, onde era influente e generoso. Tinha uma vila favorita na colina de Manza, onde se supõe tenha feito observações sobre as formas e efeitos da paisagem.
Em 1546, visitou Roma, onde obteve a honraria de receber a chave da cidade. Seu predecessor imediato em tal homenagem tinha sido Michelangelo em 1537. Em 1547, foi atéAugsburg pintar Carlos V e outros nobres do império. Estava lá ainda em 1550, quando executou um retrato de Filipe II que foi enviado à Inglaterra e se provou um excelente auxiliar para conseguir a mão da rainha Maria I da Inglaterra em casamento.

[editar]Últimos anos

Mãe dolorosa em oração, óleo sobre madeira, Museu do PradoMadri
Durante os últimos anos de sua vida (1550 - 1576) o artista mais e mais absorvido em seu rendoso trabalho como retratista, e também mais crítico e perfecionista, terminou poucos grandes trabalhos. Alguns ficaram dez anos no estúdio, sendo retocadas e retomadas, constantemente adicionando expressões , concisão e sutileza.
Para cada problema estético que se apresentava, ele elaborava uma nova e mais perfeita fórmula. Ele nunca igualou a emoção e tragédia daCoroação de Espinhos, hoje no Louvre; na expressão do divino e do mistério, nada mais poético que Peregrinação de Emaú. Nunca fez nada mais brilhante e grande que O Doge Grimani de Veneza ou A Trindade em Madri.
Em outro ponto de vista, ele também não fez nada mais movimentado que algumas pinturas de sua velhice, como Damem Madri, Antiopeno Louvre ou o Rapto de Europa. Deteve-se ainda no problema do chiaroscuro em fantásticos efeitos noturnos em O Martírio de São Lourenço ou no São Geronimo. No domínio do real, ele sempre permaneceu forte e seguro, e seu próprio mestre, como nos retratos de sua filha Lavinia e em seus auto-retratos.
Vecelli comprometeu sua filha, a bela garota que ele amou profundamente, com Cornelio Sarcinelli de Serravale. Ela tinha sucedido a tia Orsa como governante da casa. O casamento ocorreu em 1554 e ela tristemente morreu de parto, como a mãe, em 1560. Ticiano estava noConselho de Trento em 1556, com sua pintura ou os esboços no Louvre mostram.
Seu amigo Pietro Aretino morreu repentinamente em 1556. Em setembro de 1565, foi a Pieve di Cadore e projetou a decoração da igreja de Pieve, parcialmente executada por seus aprendizes. Uma dessas é uma Transfiguração que ostenta a inscrição Titianus fecit, como resposta aos críticos que diziam que a mão do mestre não era mais a mesma.
Continuou a aceitar encomendas até o fim. Tinha selecionado o local de seu túmulo na capela do Crucifixo na igreja de Fran, e como retribuição da permissão, ofereceu aos franciscanos um quadro da Pietá, representando a si mesmo e seu filho Horácio, mas não o terminou. Ticiano Vecelli se aproximava dos cem anos quando a peste apareceu em Veneza, matando o mestre em 27 de agosto de 1576. Enterrado na Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari, foi a única vítima da peste negra a ser sepultada numa igreja, e repousa perto de sua Madona de Ca'Pesaro. Seu filho morreu da mesma epidemia e ladrões saquearam sua casa, aproveitando a desordem da época.

[editar]Familiares e alunos

Vários outros artistas da família Vecelli navegaram nas águas de Tiziano, como seu irmão Francesco, o sobrinho Marco di Tiziano, que frequentava a casa do tio, Frabizio di Ettore, de outro ramo da família, Tommaso Vecelli e Girolamo di Tiziano. Várias obras foram retocadas pelo mestre mas nenhum lhe fez sombra. Entre seus numerosos aprendizes, destacaram-se Paris Bordone e Bonifazio com sua excelência. Domenico Theotocopuli, melhor conhecido como El Greco, foi empregado como encarregado de fazer gravuras de suas pinturas. Ele disse que muitas vezes o próprio Ticiano gravava no cobre ou na madeira.

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